Energia reativa e potência de pico na fatura: como reduzir

A energia reativa e a potência de pico são duas parcelas separadas da fatura de eletricidade de empresas em Portugal. Esta página explica o que cada uma é e mostra, passo a passo, como reduzi-las.
A energia reativa (medida em kVArh) não produz trabalho útil, mas circula na rede por causa de motores, transformadores e balastros. Em Portugal, os clientes com contagem de reativa (média tensão e alta potência) pagam a energia reativa indutiva consumida quando a razão entre reativa e ativa ultrapassa o limiar regulado pela ERSE (tan φ ≈ 0,3), e pagam também a reativa capacitiva injetada em horas de vazio. Abaixo desse limiar, a reativa indutiva não é faturada.

Esta parcela cobra a potência máxima que a sua instalação exige durante as horas de ponta, registada pelo contador. Não depende da energia total consumida, mas do instante de maior procura no mês: se ligar vários equipamentos ao mesmo tempo em hora de ponta, esse pico define o valor a pagar. Distingue-se da potência contratada, que é o teto que negoceia com o comercializador.

O passo mais direto é instalar uma bateria de condensadores para compensar a reativa indutiva e manter o cos φ próximo de 1 (tan φ abaixo de 0,3). Peça primeiro um estudo do fator de potência com os dados do contador para dimensionar a bateria; sobredimensionar provoca reativa capacitiva, que também é faturada. Em instalações com muitos motores, os variadores de velocidade e a substituição por equipamento de alto rendimento reduzem ainda mais o consumo de reativa.

Baixe o pico deslocando cargas flexíveis (bombas, carregamento, aquecimento de água, arrefecimento) para fora das horas de ponta e evitando arranques simultâneos. Um sistema de gestão de cargas (peak shaving) monitoriza a potência em tempo real e desliga ou adia cargas não críticas antes de atingir um novo máximo. A monitorização contínua da curva de carga mostra onde estão os picos evitáveis.

Uma bateria estacionária descarrega nos instantes de maior procura, reduzindo a potência de pico registada sem alterar a produção. Em Portugal, o armazenamento tem apoio público através do PRR: o concurso de 2024 'Flexibilidade e Armazenamento' atribuiu cerca de 99,75 milhões de euros a projetos que somam aproximadamente 500 MW de nova capacidade, e foi anunciado um concurso adicional de cerca de 750 MVA num pacote de resiliência da rede. Com a rede congestionada — em 2025 as renováveis cobriram 68% da procura no continente e a fotovoltaica chegou perto de 50% da injeção nas horas de sol —, o armazenamento no local também ajuda a estabilizar a instalação.
Peça a curva de carga (diagrama de 15 minutos) e uma fatura recente ao seu comercializador. Verifique se há parcela de energia reativa e qual o valor da potência em horas de ponta. Com esses dados é possível dimensionar a bateria de condensadores para a reativa e identificar as horas de pico a atacar com gestão de cargas ou armazenamento — as duas medidas atuam em parcelas diferentes e somam-se.